Histórias

Pedro Henrique dos Anjos
Marítimo | 29 anos
Relação com pai?? Pai uma palavra tão pouco falada no meu vocabulário. Desde meus 7meses de vida ele abandonou, não deu assistência nenhuma, nunca foi a uma festinha de escola, nunca desejei "Feliz dia dos Pais" a ele mas por outro lado minha mãe fez os dois papéis muito bem feito fazendo com que eu nem lembre que tenho um "pai". Quando eu nasci (prematuro de 7meses) ele falava pra minha mãe "não se apega não, por que ele não vai vingar" hoje estou com 29 anos e vinguei. Eu não sinto falta do meu "pai" por que eu não constumo sentir falta de algo que nunca tive. Mas o fato de não ter me dá mais força e mais vontade de ser um PAI que eu nunca tive e disso eu tenho certeza que serei muito mais do que o nada que ele foi!!!!
Dyel Alexandre
Professor de ARTES MARCIAIS | 37 anos
Bom, a minha história não é diferente das que aqui estão, Nasci em 1982 de uma guerreira chamada Enézia, que além de mim, teve mais dois filhos, uma irmã mais velha falecida a 6 (Maíra Regina, que faleceu sem realmente saber o que era um amor de PAI) e o nosso caçula Leonardo.(Pai dele mais presente na vida dele até hj). Uma infância difícil na periferia de Brasília. Como sempre ficou pra minha mãe cuidar dos 3 e passar por algumas dificuldades, mais nunca deixou faltar nada dentro de casa,pois sempre batalhou para que tivéssemos tudo. Acho que hj nada mudou, pois ainda vemos muitos casos, ainda mais com a tecnologia de hj, a minha irmã mesmo, descobrimos o pai dela através das mídias sociais e conseguimos um encontro, a pedido dela a ele, fizeram um exame de DNA, mesmo com toda a história que minha mãe falava. Fizeram o exame e alguns meses depois a minha irmã teve um problema de saúde e veio a falecer, antes de pegar o exame de DNA, e adivinha o que o pai dela fez? Isso mesmo! Sumiu novamente, minha irmã deixou 2 filhos que o pai cuida, mais o vô da parte da mãe,sumiu e não quis nem saber dos netos, herança genética? Talvez!!! Hj tenho minha filha e antes dela nascer, recebi a proposta de ir morar fora do Brasil pra seguir minha carreira de lutador, mais neguei pois estava perto da chegada da minha filha e prometi a mim mesmo que ela não ia crescer sem o pai, pois o que eu não tive ela ia ter, Hj trabalho o dia todo dentro de uma academia dando aulas assim como minha esposa, mais o fim de semana não abrimos mão de estar juntos e dando muito AMOR e carinho para nossa filha, Hj o pouco amor ( não vou dizer que meu pai foi totalmente ausente na minha vida) mais o que não tive ele da pra Minh a filha e isso me deixa um pouco FELIZ, pois a única coisa que jamais vou fazer e estar longe dela, pois descobri que meu CORAÇÃO BATE FORA DO PEITO E SE CHAMA AÍSHA...Agradeço a Deus e minha mãe pela educação e carinho que me deu e passo tudo isso pra minha filha. Espero ter contribuído um pouco minha história. HJ SEI QUE O AMOR VERDADEIRO E SER PAI DE UMA PRINCESA... E NADA PAGA QUANDO CHEGO EM CASA E ESCUTO AQUELA VOZ E RECEBO UM BEIJO MAIS GOSTOSO ACOMPANHADO DE UM SONORO E DOCE CHAMADO DE "PAI". VALEW GALERA... EAPERO TER CONTRIBUIDO UM POUCO COM MINHA HISTÓRIA.
Marília Medeiros
Professora | 32 anos
Olá, sou Marília, mãe de Alice que hoje tem 7 anos. Há 8 anos atrás descobri a minha gravidez, e comuniquei ao pai da minha filha, na época, ele tinha inventado uma mentira, dizendo que estava com problemas e sumiu. O encontrei por meio de pesquisas na internet, liguei e disse que precisaria conversar, pois aquele momento era difícil pra mim , estava sozinha e grávida. Eu trabalhava no Centro do Rio de Janeiro, marquei de conversar-mos em um estabelecimento de lanches, onde compareceu. Levei todos os exames, para mostrar a ele,que realmente eu estava grávida e ele é o pai. Disse que assumiria a criança, dando todo suporte, mas que não ficaríamos juntos, pois já tinha outra pessoa na vida dele. Concordei, ele disse que manteria contato, mas a partir daquele dia, nunca mais. Minha família me abraçou, graças a Deus, mas mesmo assim, corri atrás dele pra saber, se realmente ele queria dar a paternidade. Ele trabalhava em uma empresa de bebidas, e tinha um número de celular que eu sabia e sempre ligava, só que depois, esse número parou de existir. Trabalhei até meu último dia de gestação, Alice nasceu dia 12/02/2012 as 10:50 da manhã, minha princesa. Quando registrei no cartório, meu pai foi comigo, só no meu nome. Ainda, procurei ele, mas não o encontrei, aí desisti, e segui minha vida. Até porque, minha filha é mais importante, estava sozinha, mas tinha que cuidar e cria-la. Anos se passaram, veio o Facebook, procurei e o encontrei. Já casado e com filho, enviei uma mensagem dizendo que precisaria conversar. Nunca me respondeu. Já estava exausta de correr atrás e desisti. Porque se ele quisesse mesmo conhecê-la, se existisse afeto, eu não estaria passando por isso. Foi desgastante. Hoje, com amor e carinho, cuido, visto, calço, educo ela com dificuldades, mas graças a Deus nunca faltou nada. São 7 anos, anos que se passaram e ele nada. Alice já perguntou sobre, eu eu expliquei, mas não falei mal dele, porque quero que ela cresça, e se um dia ela quiser encontrá-lo, que ela tire e veja as próprias conclusões. Eu faço o meu papel de mãe, amo, trabalho, estudo, para dar o melhor pra ela. Ela precisa de mim. E eu estou aqui.
Fernanda Rodrigues
Auxiliar de sala de aula | 28 anos
Então sei que tenho um pai, pois se estou nesse mundo é porque ele existe! Porém e infelizmente eu não a conheço, e minha mãe com o jeito dela de não incomodar e falta de conhecimento ou talvez um distúrbio que não sei explicar, simplesmente nunca teve a ideia de que isso faria MUITA falta na vida de uma criança. Eu passei minha infância TODA triste nas datas dos dias dos pais, onde fazer lembrancinhas para dar para os pais que não eram meus... isso me deixava arrasada! Outra coisa angustiante era olhar no meu documento e não ter o nome dele... daí fui crescendo e preencher formulários na hora que chegava no nome do pai eu tinha que deixar em branco. Cheguei a procurar mas até hoje esse vazio não foi preenchido. Morava com minha vó desde os meus 11 meses de vida até meus 18 anos e 3 meses. Fui buscar um futuro melhor em Brasília onde eu nunca quis ter saído. Até hoje luto por uma relação amigável com minha mãe e estamos aí tentando cada dia e melhorando. Confesso que queria sim que fosse tudo diferente, queria ter convivido com meus pais. Mas, essa é vida e vida que segue. Hoje uso isso para que meus futuros filhos não vivam com esse pesadelo.
Ricardo planas
Cuidador de idosos |
Meu pai foi o primeiro homem na vida da minha mãe ,eles começaram a namorar ela tinha apenas 16 anos de idade ele já pelos seus trinta e tal,era mulherengo e batia nela, poucas são as lembranças que tenho da infância, mas com certeza a violência doméstica é uma delas. Eles moraram juntos enquanto eu era bebê, ele era um policial muito conhecido na cidade pequena em que vivíamos. Fiquei praticamente um ano sem nome porque ele queria colocar o nome dele é minha mãe não aceitava, um dia ele foi trabalhar ela resolveu ir até o cartório pra fazer o meu registro, ele já tinha deixado o escrevente sobre aviso, pediu licença e ligou pra ele. Meu nome é Ricardo Fonseca Coelho Junior, passado dois anos eles brigaram, meu pai então vendeu a nossa casa, e levou tudo que tínhamos para a casa da sua nova mulher, tudo mesmo até mesmo o berço que era meu. Vivi muitos anos pela casa de parentes porque minha mãe não tinha condições financeiras de me criar . Ele pagava pensão mas simplesmente desapareceu no mundo. Quando eu fiz 21 anos ele entrou com um processo pra retirar a pensão que ele pagava, eu fui chamado em juízo, alegou que eu já era maior de idade e estava usurpando um bem que era da família dele. É assim depois de anos sem saber como era o rosto do meu pai eu o conheci na frente de uma juíza aos vinte um anos de vida. Eu evidentemente fiquei muito aborrecido e não consegui falar com ele. Recentemente chegou aos meus ouvidos que ele tinha falecido eu me arrependi de não ter falado com ele naquela ocasião, então procurei a polícia militar para ter informações dele e foi aí que pela primeira vez eu vi o rosto do meu pai na tela do computador. Resumidamente essa é a minha história, eu deixei meu Telefone e pedi que ele me procurasse já que ficou confirmado que ele está vivo mas uma vez não obtive resposta. Ele me deu nome dele mas esqueceu do principal amor.
Alexandre Tadeu Silva de Sá
motorista | 38 anos
minha mãe separou do meu pai quando eu tinha dois anos de idade... MEU pai ficou com minha irmã que foi criada com minha tia(madrinha da minha irmã,no qual ela chama de mãe) algumas vezes eu visitava minha irmã com minha mãe,e meu pai raramente me visitava eu fui crescendo sem saber da fisionomia dele. lembro que de 3 anos pra cá ele vem aparecendo,vai ver pra tentar reconquistar a minha confiança,sem sucesso,hoje eu com 38 anos entendo que a vida vc mesmo faz por onde vc anda e se tiver no lugar certo e tiver ao lado de pessoas que te apoiam vc consegue seus objetivos hoje agradeço muito minha mãe minha tia madrinha e minhas outras tias por ter me ajudado e hoje sinto muito feliz em ter formado uma família que eu amo muito.
Felipe S.
Militar | 23 anos
Meu pai até me registrou, porém largou a minha mãe e eu, quando eu tinha 5 anos. Ele fez, exatamente, a mesma coisa com outras mulheres. Graças a Deus, minha mãe, sozinha, me deu a oportunidade de ser alguém na vida e sem a ajuda do meu pai. Hoje em dia ele tenta ter algum contato comigo, mas do que adianta agora? Se quando eu mais precisei dele, o mesmo não estava lá. Eu posso dizer com toda a certeza que pai não é quem dá a vida e sim quem cria.
Kelson da Construção
Vendedor | 36 anos
1983, o ano que eu nasci... Minha avó que fala que encontrou meu pai no supermercado e avisou pra ele que eu já havia nascido e estava na casa dela. Ele falou que assim que tivesse um tempinho iria lá, mas um homem tão ocupado não encontra tempo assim com facilidade. De 1983 até pelo menos 2019 ele ainda não teve esse tempo. Nós moramos no mesmo bairro há mais de 30 anos então é possível que eu até já o tenha visto em algum lugar tipo loja ou transporte público etc... Na prática não faz nenhuma diferença a ausência do que nunca foi presente, afinal o que não existe não faz falta. Eu não tenho condições de imaginar o que perdi com isso porque eu não sei como é a vida de outra forma, apenas sei o que vivi. Não tenho nenhum tipo de trauma ou complexo. Também não tenho nenhum tipo de curiosidade ou vontade de conhecer o sujeito. Não tenho nenhum tipo de sentimento ruim e nem bom com relação a pessoa em si. Não tenho o nome paterno em registro e não sei qual é o benefício de ter ou prejuízo de não ter pois nunca fui privado de algo ou discriminado por essa razão. Acredito que se tivesse o nome no registro a única diferença seria o nome mesmo. Como o nome de um pai morto por exemplo, alguém que morreu antes de você nascer e você sabe o nome mais nunca viu fisicamente. Acredito apenas na importância do amor, coisa que eu tive e tenho, recebi daqueles que estão e estiveram em minha volta. Um nome é um mero detalhe, um nome é só um nome.
Thiago Barbosa
Na época em que minha mãe engravidou do meu pai, ele levou de uma forma natural, mas teve um rejeito em relação a me tratar como filho e, mesmo tendo o registro em papel, parece que houve uma dúvida também, se eu era o filho mesmo. O que eu espero de um pai é, inicialmente, a presença, porque eu fui criado basicamente por mulheres: minha mãe, minha madrinha, as sobrinhas da minha madrinha, que eu considero como tia. Então eu sempre tive a figura da mulher, a figura materna. O registro do pai acho muito importante é melhor do que nada. Mas, além disso, o que realmente vai fazer a diferença é a presença do pai durante a vida. E são esses dois passos. A parte formal é um, digamos assim, um complemento de um procedimento, mas a presença é algo que não dá para se dimensionar. A gente sabe da grandeza.
Antonia Rosa
Um dia eles me perguntaram, né, a minha filha: “por que que eu não tenho o nome do meu pai na certidão?”. Então essa mesma história que eu... então eu disse assim “não, a mamãe falou com seu pai e ele ficou enrolando - falei uma linguagem assim, né - e a mamãe foi lá e registrou, mas por que? você gostaria?”, “não mamãe, é só pra saber porque você agora é minha ‘pãe’”, foi isso que ela falou pra mim, “você agora é minha ‘pãe’”. E o meu filho foi a mesma coisa.
Pedro Henrique Vieira
Existe tanta criança sem pai no Brasil por falta de... no meu ponto de vista, por falta de responsabilidade. Porque hoje em dia a população ela vê de uma maneira diferente, né, as pessoas veem de maneiras diferentes e assim, ele não quer um compromisso, não quer afirmar um compromisso, um vínculo com aquela pessoa. Digamos que um homem conheceu a mulher, namorou, ficou, casou, teve filho. É uma situação, entendeu? Agora, o cara saiu num baile, conheceu uma mulher, engravidou não sabe nem daonde a mulher é essa. Se a mulher é uma pessoa legal ou não. Ele não vai querer nem correr atrás, se responsabilizar disso. Poucas pessoas vão querer buscar isso e correr atrás.
Jacqueline da Silva
Eles não fazem questão mais nenhuma de ter sobrenome de pai não. Meus filhos nunca foram descriminados na escola por não ter o sobrenome do pai. Eu nunca tive empecilho nenhum na vida sobre nada disso. Aborrecimento nenhum. O que todo mundo faz um bicho de sete cabeças, pra mim não é nada. Porque eu não levo nada na vida ao pé da letra.